VIAGENS PELA ESCRITA - Livro, José Luís Peixoto Espaço Semanal da Rádio Periquito, Nº08 Segunda Parte Ultrapassando a "Revolução de Abril", sem se deter nela, encontramos agora as personagens na fase posterior da nossa emigração: a do regresso à pátria, apenas para as férias de verão. Não seria, no entanto, por nos fazer reviver o ambiente social português desses tempos que este romance sairia da vulgaridade. Acontece que, neste percurso de ida e volta, as surpresas vão ser permanentes e sempre de arrepiar. Em circunstâncias de dureza extrema, a linguagem é agreste, por vezes cruel; é um romance para estômagos fortes. A repugnância que, forçosamente, se vai sentir, sairá da própria realidade completamente exposta e não da obra que é apenas o seu espelho. Num ambiente em que tudo parece dominado por uma luta pela sobrevivência, haverá ainda espaço para grandes paixões e para a criação de laços familiares indestrutíveis. Ficou-me, no entanto, uma ligeira estranheza para a qual gostaria de conhecer uma explicação: a que propósito é inserido no enredo o episódio de Lubélia que, dada como morta, acorda fechada no caixão que ela própria encomendou, anos antes. Não me parece que acrescente qualquer valor à narrativa. O autor encontrou uma forma peculiar de linguagem, por vezes pouco ortodoxa, mas muito original e expressiva. É, de facto, ao nível da forma de escrita, que me parecem mais merecidos os galardões que lhe têm sido atribuidos ea importância de que goza na literatura ...

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