Histórico da cooperação científica
A construção intelectual da Antártica se inicia no século XIX , não apenas
por parte dos governos interessados no continente, mas também por
parte dos próprios exploradores, de sociedades científicas e congressos internacionais
que favoreceram a colaboração entre nações. A oceanografia, a
meteorologia e a astronomia dão à ciência antártica fundamental impulso,
abrindo caminho para o surgimento e consolidação de uma “consciência
antártica”, em que os princípios da liberdade de pesquisa e da cooperação
ali consolidadas contêm as sementes do Tratado Antártico, que seria adotado
muito depois, em 1959.
Um importante exemplo desse processo foi o surgimento de propostas, a
partir de 1869, de estabelecimento de observatórios para o trânsito de Vênus
em localidades sub-antárticas ou antárticas. Naquele contexto, estabeleceram-
se formatos padronizados para as observações de fenômenos magnéticos
e buscou-se, ainda, coordenar os tempos de observação e comparar instrumentos
com vistas a assegurar o máximo de compatibilidade. Da mesma
forma, o estabelecimento de uma rede de estações meteorológicas, em 1781,
o estabelecimento de rede de estações para medir o magnetismo terrestre, a
partir de 1832, e o primeiro núcleo de estações permanentes para observações
geofísicas, a partir de 1872, são importantes marcos da cooperação polar
porque destacam a importância das ilhas oceânicas, das regiões desabitadas e
das zonas polares. As observações astronômicas de Edmund Halley no Atlântico
Sul, ainda no século XVIII, e as expedições de Alexander Humbold são
emblemáticas nesse processo.
Tais atividades científicas, entre outras, levaram à realização do Ano
Polar Internacional em 1882–1883. O Brasil contribuiu com a iniciativa
por meio do envio de expedição para observar o trânsito de Vênus a partir
do Estreito de Magalhães. O impulso à cooperação proporcionado pelo Ano
Polar Internacional favoreceu que, nos anos seguintes, numerosas conferências
científicas internacionais considerassem o tema da pesquisa antártica.
Por exemplo, o Sétimo Congresso Internacional de Geografia, realizado
em Berlim em 1899, concluiu sobre a necessidade de elaborar um plano
orgânico coordenador das atividades, com vistas a obter maior benefício das
explorações antárticas.
Denominou-se Expedição Antártica Internacional a um grupo de quatro
expedições nacionais cujos objetivos observaram o princípio da distribuição
geográfica: a do britânico Scott, no navio Discovery, reconheceu o setor da
Terra da Rainha Vitória, uma vez que havia descoberto aquela região; a do
sueco Nordenskjöld, no navio Antarctic, e a do escocês Bruce, no Scotia,
exploraram o Mar de Weddell; e a do alemão Drygalski, no Gauss, operou no
setor do Índico. A essas expedições se somaria a de Jean Charcot, no Français,
que navegou para o ocidente da Península Antártica no verão de 1903.
A experiência daqueles que viveram a realidade antártica nesse período
consolidou a convicção de que a ciência antártica era possível somente por
meio de esforço internacional comum. A série de iniciativas nesse sentido,
inclusive o estabelecimento, na Bélgica, de um Instituto Antártico Internacional
e de uma Comissão Polar Internacional, integrada por países cujos
nacionais tivessem liderado expedições antárticas ou delas participado, interrompeu-
se com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914.
A retomada da cooperação após a guerra possibilitou a realização do Segundo
Ano Polar Internacional em 1932–1933. O programa de atividades previa
a participação de mais de uma centena de estações, entre as quais mais de
vinte na região antártica e sua vizinhança. Em relação ao Primeiro Ano Polar
Internacional, ampliava-se o quadro geográfico de observações para além das
regiões polares e incorporavam-se pesquisas relacionadas com a ionosfera.
Ao considerar os resultados do Segundo Ano Polar Internacional, o então
Conselho Internacional de Uniões Científicas, hoje Conselho Internacional
para a Ciência (ICSU), concluiu sobre a conveniência de realizar um programa
de âmbito universal. Nesse sentido foram lançadas as bases para a
realização do Terceiro Ano Polar Internacional (1957–1958), que recebeu o
nome mais genérico de Ano Geofísico Internacional (AGI), para sublinhar
que o escopo das pesquisas não se restringia às regiões polares, mas abarcava
todo o planeta, com ênfase nos pólos e na zona tropical.
Entre os parâmetros estabelecidos para as atividades do AGI, destacaramse:
atribuir prioridade absoluta para problemas de caráter mundial, ou seja,
aqueles que exigissem colaboração efetiva e acordos internacionais; evitar
dispersão de esforços e recursos; evitar duplicação de trabalho; maximizar a
cobertura na Antártica e eliminar os programas cujo objeto não estivesse claramente
definido. Além diss

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